The Best Soccer Player in the World is a Woman!

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By: Leticia Bahia, In-Country Consultant, Brazil

When people think about Brazil, soccer is almost always the first thing that comes to mind. Every Brazilian who has already left the country knows that once people find out our nationality, they cheer us up with smiles and mentions of famous players like Pelé or Ronaldo. But it is a woman who is privileged to have been voted by FIFA for five consecutive times the best player in the world. On #WomensDay, we celebrate the achievements of Marta Vieira dos Santos, a woman who plays #likeagirl.

Born in Dois Riachos, a city with less than twelve thousand inhabitants in the northeast region of the country, Marta is the youngest of 6 children. Her father left the family when she was a baby, and her mother was short on money, so Marta didn’t start attending school until she was 9 years old. She had everything to lose, but she couldn’t have done better.

She started playing soccer around the age of six, facing disapproval from her entire city. People would call her a “macho woman” and other offenses. Sometimes she even had to hide from her own brothers to play. In her early adolescence, Marta was banned by the coach of an opposing team from playing in a local tournament. “This is not a place for girls,” he said.

But it was.

In 2000 she made the decision that would literally be the kickstart of her career. At the age of 14, and against her mother’s will, Marta crossed Brazil alone to take her chances at a tryout in Vasco, a professional team from Rio. In a famous 2017 letter to her younger self she remembers the fear, the doubt. What if they were right? What if there really wasn’t no place for girls in the world of football? “Do not think about it”, she repeated to herself, “get on the bus.”

She took 3 long days to get to Rio. When she arrived at the pitch, she felt intimidated. All the other girls were older, and at her eyes, they all looked fearless. The shy girl from the countryside did not open her mouth – but she spoke with her feet. Her very first kick was so powerful that the ball entered the goal pushing the goalkeeper along with it. All heads turned towards the skinny girl with the strange accent. “We want her here with us,” said the coach. Marta became a professional player.

In Vasco, Marta won the Brazilian championship and was elected best new talent. In 2003 she was called up to the national team, and she went to the 2003 FIFA Women’s World Cup in the United States, losing to the powerful Sweden in the quarterfinals. But the Swedes were watching her, and in 2004 she left the heat of the tropics for an opportunity in a country she couldn’t even point on a map. And that’s when things started to get fun.

Marta did not speak Swedish and suffered from the Nordic cold, but in Sweden she found a place that really values women’s football. That was where the girl from Dois Riachos became a real athlete. She began to let go of her old questions about herself and to understand that she was part of something bigger. Marta began to teach her Swedish teammates (who play a hard and technical soccer) the improvisation and cleverness that made Brazilian soccer so famous. And finally, with the money she earned, Marta managed to buy a house for her mother.

Clubs and victories came one after another. Los Angeles Sol, Golden Price, Western New York Flash, Santos. Two golds at the Pan-American Games, two Olympic silver medals and another one at the 2007 World Cup. And of course, Fifa’s World Player of the Year. In 2006, 2007, 2008, 2009 and 2010.

But the brightness of the current Orlando Pride player goes beyond the lawns. In 2010, she was appointed as a UN Goodwill Ambassador, along with Gisele Bündchen and Queen Rania of Jordan, committing herself to fighting poverty and, in particular, women’s empowerment.

Today, Marta remembers the days she spent in Rio waiting eagerly to be called to the trial. She would stare at the big cleats she got from a friend’s grandfather – she had to put newspaper on it to make up for the wrong size – thinking whether she’d be strong enough. That  letter she published to her younger self ends with a powerful mantra: “Believe me when I say that, after all that you’ve been through, you can do it. You are stronger than you think. You’re a woman. And you’re a footballer.”

 

O melhor jogador de futebol do mundo é uma mulher!

Quando o mundo pensa no Brasil, futebol é quase sempre a primeira coisa que vem à mente. Todo brasileiro que já saiu do país sabe que basta revelar sua nacionalidade para receber de volta sorrisos e menções a grandes jogadores como Pelé ou Ronaldo. Mas é de uma mulher o privilégio de ter sido eleita pela Fifa por 5 vezes consecutivas a melhor do mundo. Neste 8 de março, celebramos as conquistas de Marta Vieira dos Santos, uma mulher que joga #comoumagarota.

Nordestina de Dois Riachos, município com menos de 12 mil habitantes no interior do Alagoas, Marta é a caçula de 6 filhos. O pai abandonou a família quando ela ainda era um bebê, e com o dinheiro curto que a mãe ganhava na roça ou fazendo faxina e servindo café na prefeitura, Marta só começou a frequentar a escola aos 9 anos. Ela tinha tudo pra dar errado, mas não poderia ter dado mais certo.

Jogava desde os 6 anos, e ela era mal vista por toda a cidade, que a chamava de “mulher-macho” e outros apelidos ofensivos. Por vezes, tinha que se esconder até dos irmãos para jogar. No começo da adolescência, Marta foi proibida de disputar um torneio local pelo técnico de um time adversário. “Este não é um lugar para meninas”, disse ele.

Mas era. Em 2000 ela tomou a decisão que mudaria sua vida para sempre. Com apenas 14 anos e contra a vontade da mãe, Marta atravessou o Brasil sozinha para tentar uma vaga em um time profissional no Rio de Janeiro, o Vasco. Hoje ela se recorda do medo, da dúvida. Será que eles estariam certos? Será que não havia espaço para meninas no mundo do futebol? “Não pense nisso”, dizia a si mesma, “entre no ônibus”.  

Foram 3 longos dias de viagem. Quando chegou ao campo de teste, assustou-se diante das meninas da cidade, mais desenvoltas, mais velhas e acostumadas a terem algum espaço no esporte. Tomada pela timidez, Marta não abriu a boca, mas falou com os pés. Seu primeiro toque na bola foi um chute tão forte que a bola entrou no gol junto com a goleira. Todas as cabeças se voltaram para a menina magrela com sotaque esquisito. “Nós queremos ela aqui com a gente”, disse a treinadora. Marta tornava-se uma jogadora profissional.

No Vasco, Marta levantou a taça do campeonato brasileiro e foi eleita a revelação. Em 2003 já estava na seleção brasileira, e jogou no mundial dos Estados Unidos, perdendo para a poderosa Suécia nas quartas de final. Mas os suecos estavam de olhos atentos, e em 2004 trocou o calor dos trópicos por uma oportunidade no frio nórdico. Foi quando as coisas começaram a ficar divertidas.

Marta não falava sueco e sofria com o clima, mas ali encontrou um país que valorizava o futebol feminino. Foi na Suécia que a garota de Dois Riachos se tornou uma verdadeira atleta. Ela começou a se soltar, a acreditar que fazia parte de algo maior, e além de aprender, começou a ensinar às companheiras suecas (que jogam um futebol duro e técnico) a improvisação e a malemolência que são marca do futebol brasileiro. E, finalmente, com o dinheiro que ganhou na Suécia, Marta conseguiu comprar uma casa para sua mãe.

Os clubes e as vitórias vinham um atrás do outro. Los Angeles Sol, Golden Price, Western New York Flash, Santos. Dois ouros nos Jogos Pan-Americanos, duas pratas olímpicas no Mundial de 2007. E melhor jogadora do mundo, em 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010.

Mas o brilho da atual jogadora do Orlando Pride, da Flórida, vai além dos gramados. Em 2010, foi nomeada Embaixadora da Boa Vontade pela ONU, ao lado de Gisele Bündchen e da rainha Rania, da Jordânia, se comprometendo a atuar no combate à pobreza e, em especial, dar força à emancipação feminina.   

Hoje, Marta se recorda dos dias que passou no Rio de Janeiro esperando ansiosamente para ser chamada para o teste. Ela olhava para as chuteiras grandes que o avô de um amigo lhe dera – ela tinha que colocar jornal na ponta das chuteiras para compensar o tamanho errado – pensando se seria forte o bastante. A resposta ela escreveu em 2017, em uma carta endereçada a si mesma quando jovem: “Acredite em mim quando eu digo que, depois de tudo o que você já passou até aqui, você pode fazer isso. Você já lutou, Marta. Você é mais forte do que imagina”.

Lucas Figueiredo/CBF